Metade de ti e de mim

Tu puxas e eu puxo. Com equilíbrio. E com sabedoria. Combinámos que seria assim até ao fim. Dividimos a corda ao meio, cada um ficou com metade. Metade de coração. Metade de alma. Metade de corpo. Combinámos também alguns sinais especiais e definimos limites. Tu escreveste em vários papéis e eu colei na corda. Dada a tua distração, não viste quando alguns papéis caíram e, como eu sou tão egoísta, não te disse nada, mas garanto-te que os guardei. Se quiseres volto a colá-los. O objetivo é simples. As regras são básicas. No entanto, esquecemos-nos de uma coisa: o júri. Nós somos os jogadores, não nos podemos avaliar. Isso seria uma disputa de interesses que nunca mais teria fim e nós combinámos que seria até ao fim. E se a disputa nunca tivesse fim e ficássemos para sempre a puxar a corda? Não me soa nada mal, acho que não precisamos de júri. Tomara eu, talvez também tu, que fosse esta a realidade. Tu puxavas e eu puxava. Regra principal: nunca parar de puxar. Objetivo...