Sobrenaturalmente impossível

 Ficção é ficção. Não é real. Por mais desejos e sonhos, não há maneira alguma possível que torne a ficção realidade. É claro que estou a falar de coisas impossíveis, inimagináveis, sobrenaturais. 
 Ressuscitar. Quem não gostaria de voltar a abraçar um ente querido que morreu? Infelizmente, é nestas situações que tomamos consciência do quão fraco o ser humano é. Todos nascemos. E todos morremos. Não temos o poder de mudar a ordem natural da vida. Por mais que queiramos. Por mais que sonhemos. Por mais força que façamos para que aconteça alguma coisa, não vai acontecer apenas com um apertar de mãos e um fechar de olhos. 
 Vejo séries que envolvem bruxas, vampiros, lobisomens, mortos e ressuscitados. Se gostava de viver isso? Adorava! Saber que podia procurar uma maneira de trazer alguém de volta. Saber que no dia a seguir iria abraçar quem um dia partiu. Saber que não há limites. Saber que tinha o poder de fazer o que quisesse. Pois é, não vivo numa série. Vivo no planeta Terra onde o ser humano é limitado por tudo o que o rodeia. O tempo, o dia do ano, as horas, as pessoas. Os sentimentos, os pensamentos, os objetivos. Tudo o que existe limita e delimita.
 Querem saber o que é igual nas séries e na vida real? Nada é feito só porque sim. Nada nos move só porque sim. Nada acontece só porque sim. Para tudo há uma explicação. Por vezes somos tão inocentes que nem nós próprios conseguimos encontrá-la. Outras vezes, quando não temos coragem de explicá-la, deixamos-la escondida e fingimos que não fazemos a mínima ideia do que se passa. Se eu sou assim? Não sei. O meu lado inocente diz que não. O meu lado cobarde sabe que sim. 
 Supostamente agora era altura de pensar para mim mesma «Bruxas, vampiros, lobisomens, mortos e ressuscitados são duplamente impossíveis. Desafios, ou melhor, a vida, embora limitada, não é impossível. Se não tens a explicação, vai à procura dela». Bonito, hein? Palavras bem proferidas são sempre bonitas. O problema é que passá-las de palavras para ações é muito, muito complicado. E eu tenho a mania, digamos assim, de escrever coisas bonitas, acreditar nelas durante uns dias e depois esquecê-las. Hoje, ao contrário do que é costume, não consigo acreditar nestas palavras bonitas e encorajadoras. Sou tão sonhadora e sentimental que dói. Dói querer o impossível. Dói a explicação ser sempre a mesma. 
 Várias vezes me disseram que quando ensino alguma coisa, parece que estou a ensinar-me a mim própria, como se falasse para mim. Alguns dos textos que escrevo têm a mesma finalidade. Escrevo para mim. Encorajo-me. Elogio-me ou critico-me. Este é um deles. As conversas de mim para mim são meio confusas, por isso não se assustem se não perceberem onde quis chegar. Foquem-se apenas no facto de tentarem saber sempre qual a explicação. Para isto e para aquilo. E quando não souberem ou tiverem medo de admitir, inventem. 


Tua S, 

Comentários

  1. Tal como o tempo não passa de uma ilusão, uma mera perspectiva que muda consoante a consciência de cada um e que não é igual para todos, também a "realidade", tudo o que nos rodeia, física ou sensorialmente, material ou percepcional, é mera ilusão. Tudo depende da forma como encaramos o que nos envolve, ou como queremos ver as coisas.
    Cobardia é uma palavra forte. Demasiado. Muito negativa e imprópria para a situação. Melhor seria dizer que o lado consciente afirma e o subconsciente nega e recusa. Nesse e em tantos outros casos. Passar da teoria à prática, não será assim tão difícil, "pormo-nos a caminho" não é difícil- Difícil é dar o primeiro passo, vencer a inércia, seja por preguiça ou simplesmente por medo de descobrir as verdades. Ou mesmo pelo simples facto de não sabermos o caminho a seguir. Mas as verdades são meras ilusões, como o são as mentiras. Tudo está naquilo que conseguimos ver, ou que queremos ver, que queremos aceitar ou recusar.
    "É tão mais fácil dar conselhos aos outros do que aplicarmos nós próprios esses mesmos conselhos", alguém disse uma vez... Conversas confusas? Nada mesmo, de todo!

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