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A mostrar mensagens de dezembro, 2014

Rir para não chorar

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 Passaram-se três dias e ainda bem que apareceste hoje. Sei que só apareces quando eu quero, mas é bom pensar que adivinhas. E que bem que me sabe este café quente.  Lembraste daquela noite que me doía a garganta e perguntaste se eu queria leite com mel? Não sei porquê, sempre fizeste coisas por mim, mas naquela noite fiquei super admirada e por isso perguntei se não te importavas de ir fazer. E tu respondeste, talvez também admirado com a minha pergunta, "Claro que faço, achas que não fazia?". Ficaste a olhar para mim enquanto o bebia, satisfeita. Depois tapaste-me, como todas as outras noites. Recordar este momento sabe-me tão bem. Também gostavas de voltar atrás?  O Natal está a chegar. Esse monstrinho natalício está quase a chegar e tu só apareces aqui. Devias aparecer à meia noite vestido de Pai Natal. Como naquele ano em que desceste as escadas com a minha bicicleta nas mãos. Ou quando fizeste uma criança chorar por causa da barba. Se não quiseres vestir o fato, t...

A loucura do amor

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 Estás à minha espera. Com outro café. Que surpresa agradável. É pena a roda não parar. Importas-te se misturar tudo?  É um querer inexplicável. Acompanhado de uma insegurança desconfortável. Quanto mais sinto, menos digo. Vejo a verdade, imagino a mentira. Certo masoquismo. Habituada à dor, espantada com tamanha bondade. É tanto querer, tanta vontade de mais. Não basta o tudo que me é entregue. Preciso receber mais que tudo. Não há palavras para isso, nem te consigo explicar com clareza o que é querer com tanto querer. Chega a ser sufocante. Para ambos. Um dá tudo, o outro quer mais. Um quer uma pausa, o outro quer dar mais.   No meio de tanto querer, também há tentativas de explicações. É aqui que o passado entra e aí já nada é certo ou errado. Uma lágrima cai e percebemos que estamos no limite. Limite de entrega, limite de exigência. A chama apaga-se e a loucura instala-se. Primeiro a loucura destruidora, segundo a loucura silenciosa e terceiro a loucura menti...

O último momento

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 Quero contar-te tudo. E vou contar-te agora, porque depois... Depois o café arrefece, outro assunto surge, o encanto perde-se, fica tarde e tanta coisa muda... Se me queres ouvir tem de ser agora, porque depois o sentimento é outro. A roda não para, garanto-te. Senta-te e prepara-te.  Os meus olhos abriram-se e o meu estômago apertou-se. Obriguei-me a levantar da cama. Pensei em comer, mas só o simples pensamento de pôr alguma coisa comestível na boca dava-me vómitos. Olhei-me ao espelho e pensei "estás pronta para dar as mãos ao sofrimento e para ignorar tudo e todos" e assim saí de casa.   Vou saltar a parte em que o toquei, me obrigaram a comer, cumprimentei pessoas e não me lembro de nenhuma, abracei umas quantas, dei a mão a outras tantas... Vou diretamente para o último momento. Aquele em que tudo parou. Acreditas que tudo parou mesmo? Não sei se só para mim, mas também pouco me interessa. Não sei quanto tempo esperaram. Não sei quem comovi. Não ouvi ningu...