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Não às decisões

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 Gosto de escrever sobre decisões que tomei ou sobre as que tenho de tomar. Essas decisões levam-me a situações confortáveis ou desconfortáveis, boas ou más. Hoje vou escrever sobre não tomar decisões.  Por vezes, com a correria do dia-a-dia, esquecemo-nos de coisas importantes. Preocupamo-nos com a opinião dos outros e esquecemo-nos de seguir o nosso coração. Queremos parecer bem aos olhos da sociedade e esquecemo-nos de ser felizes. Esquecemo-nos que nem sempre é preciso pensar em decisões e que basta seguir a corrente da maré para encontrarmos aquilo que não sabíamos que era o melhor para nós. E quando pensamos que podemos voltar atrás e fazer tudo de maneira diferente? É apenas uma ilusão. O tempo não recua. A oportunidade de tomar a melhor decisão sem pensar um segundo surge apenas uma vez.   Sei o que deve ser feito, mas não sei fazê-lo. Sei que deixo escapar oportunidades de ser feliz, mas más decisões tomadas no passado fazem-me ponderar melhor o futuro. ...

O meu caminho

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 Faço muitas vezes uma retrospeção do meu passado. Analiso as minhas ações, e critico-as ou glorifico-as. Dizem que não devemos viver o passado, mas penso que é bom olharmos para trás do nosso percurso de vida. Voltar a revivê-lo. Relembrar aquilo que gostaríamos de voltar a sentir para que possamos repetir e aquilo que queríamos apagar da memória para não voltarmos a cometer os mesmos erros.  Especialmente hoje lembrei-me de ti e de tudo o que me fizeste sentir. Meu destino, dizia eu. É engraçado como, depois de tudo o que me fizeste passar, não consigo ver-te como uma pessoa má e posso até dizer que te perdoo. Em relação a ti, é tudo muito confuso, tal como aquilo que sinto quando penso em ti. Apesar disso, sinto paz. Sinto que vivemos a nossa história como tinha de ser vivida e desejo que encontres o caminho da tua felicidade.  Já não quero continuar a estrada em frente na direção do único destino que desejo. Quero virar em todas as esquinas e percorrer todos os cami...

Esquecer por um segundo

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 "Ela agora está aqui ao nosso lado. E o pai também deve estar. Estão os dois a olhar para nós." Palavras inocentes de quem tanto sente. Lágrimas derramadas quando se torna impossível aguentar a saudade no peito. Queremos fugir e gritar, mas sabemos que ficar aqui é o mais acertado a fazer, a suportar o insuportável.  Ainda hoje parece mentira. Esqueço-me. E sinto-te vivo. Ouço o carro, a porta a abrir, o telemóvel a tocar e ouço-te. Espero por alguém, pelas horas, pelos dias e espero-te. Seis meses depois. Esqueço-me. Ouço-te e espero-te. E no segundo a seguir volto a sentir a dolorosa realidade.  Gosto de pensar que estás bem. A sorrir. A mostrar-me o melhor caminho. Orgulhoso de quem cá deixaste. Tento retribuir esse sorriso da melhor forma, mesmo que por vezes acompanhado por alguma tristeza.  "Agora o pai já tem companhia, já não está sozinho. Devem estar aqui mas nós não os vemos. Gostavas de os ver?" Sim, gostava. "Não chores mais. Eu não posso chorar...

Ouvi-te chegar

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 Voltei a ouvir-te chegar. Entraste em casa, fechaste a porta, pousaste as chaves, abriste o casaco... Sabia que a seguir vinhas ter comigo, perguntavas o que eu estava a fazer e davas-me um beijo na testa. Lembro-me do som do teu movimento. Lembro-me da tua presença. Mas aterroriza-me não me lembrar da tua voz. Talvez não me lembre por pensar demasiado sobre isso, ou por querer tanto recordá-la, ou por desejar tanto que voltes, ou por me repreender tanto por pensar assim...  Sei que te disse que estava a conseguir ultrapassar cada dia. E estou. Mas é difícil. E a dor voltou, de um dia para o outro. Não mais forte, mas insistente e dolorosa. Aperta-me o peito e obriga-me a dizer as palavras proibidas. Sabes tão bem quanto eu que não as posso dizer. E desta vez não é pelos dois, mas somente por ti. Pelo teu bem, seja ele qual for, sou capaz de o fazer, mesmo que me destrua por dentro, mesmo que tenha de fingir o que sinto.  Voltei a ouvir-te chegar. E estás a demorar tan...

Dás-me forças

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 As coisas não estão bem, mas também não estão péssimas. Acho que fiquei desorientada quando partiste, mas a habituação faz milagres. E hoje, depois de cinco meses intensos a reaprender a andar, ainda falta descobrir que caminho devo seguir. Apesar disso, os dias vão passando e vou vivendo.  Ficarias magoado se te dissesse que não me lembro da dor de não te ter? Parece que ando indiferente a tudo. Não sinto nada. E adorava continuar assim, mas sei que é só mais uma fase. É bom. Os dias são mais fáceis, passam rápido. Não é como se a minha vida fosse chata. Pelo contrário, é tranquila e mais bonita. Definitivamente, é mais fácil viver assim, sem me preocupar, sem me focar nas pessoas, nos acontecimentos e nos sentimentos. Deixar acontecer, visto que, e isto foi outra das coisas que aprendi, o destino não está nas minhas mãos, não cabe a mim decidir o que se vai passar no dia ou no mês a seguir.  Não me lembro da dor, mas lembro-me de ti. Tinha tantas coisas para te conta...

Rir sem batota

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 Por duas vezes pareceu um sonho. Por duas vezes eu te procurei. Num segundo, feliz pelo momento em si. No segundo a seguir, consciente da triste verdade.  Não sei se me disseste que estava bonita. Não sei se me tiraste alguma fotografia. Não sei se me aqueceste. Não sei se me apoiei em ti. Não sei se dancei contigo. Não sei se estiveste sempre a olhar para mim. Não sei se estiveste ao meu lado. Não sei se eras tu quando eram outras pessoas. Não sei se eras tu quando eu queria que fosses. Não sei se sabes, mas procurei por ti...  Dói não saber se estás comigo, mas dói mais ainda saber que eu não estou contigo. Dói saber que nunca mais vou sentir a serenidade dos teus olhos, a segurança dos teus braços e o conforto das tuas palavras. Dói por doer. Dói procurar por ti e não te encontrar...  Faz parte de mim acordar com um aperto no peito e colocar um sorriso no rosto. Faz parte de mim olhar para a tua fotografia quando vou dormir e desejar que voltes. Faz parte de...

Crianças em busca da felicidade

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 Um beijo. Um toque. Estamos no paraíso. Desejo de calor e de pele. Desejo de ti. Um quero-te foi dito. Um abraço foi pedido. Um beijo foi dado. Sabes onde estamos? Se não, eu também não. Se sim, não me digas. Gosto de pensar que o mundo desapareceu e nós somos os únicos sobreviventes. Sobreviventes do amor. Sobreviventes por amor.  Tenho uma luz. Ela diz-me por que caminhos devo seguir para te encontrar. Tenho uma luz e uma esperança. Esperança de tudo e de nada. Esperança de me seres tudo e de nada mau acontecer, porque estamos no paraíso. Consegues ouvi-la? Está a pedir-me para pular. Não percebo, às vezes é muito misteriosa. Continua a insistir para eu pular. Mas pular para onde se estou no paraíso e aqui é tudo transparente? Só há uma coisa que consigo ver, a mais bela e complicada: amor. Achas que devo mandá-la embora por ser chata? Não posso mandá-la embora. Se a mandar embora o amor também vai e assim deixo de te ver. E eu preciso de te ver.  Ela diz que se arri...